Bumba Meu Boi do Maranhão agora é Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade
O Complexo Cultural do Bumba Meu Boi do Maranhão é o mais novo bem brasileiro consagrado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A excepcionalidade dessa celebração múltipla, que abarca as diferentes matrizes culturais formadoras das identidades que compõe o Brasil, foi reconhecida por unanimidade e com louvor pelo Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO, reunido em Bogotá, na Colômbia nesta quarta-feira, 11 de dezembro, e mostrou para o mundo sua grande capacidade de criatividade humana.
O Bumba Meu Boi é uma festa tradicional onde a figura do boi é o elemento central. Reúne também outras manifestações culturais e, por isso, é chamado de complexo cultural. Muitas vezes definido como um folguedo popular, o Bumba Meu Boi extrapola a brincadeira e se transforma em uma grande celebração tendo o boi como o centro do seu ciclo vital e o universo místico-religioso. Profundamente enraizado no cristianismo e, em especial, no catolicismo popular, o Bumba Meu Boi envolve a devoção aos santos juninos São João, São Pedro e São Marçal. Os cultos religiosos afro-brasileiros do Maranhão também estão presentes na celebração, como o Tambor de Mina e o Terecô, caracterizando o sincretismo entre os santos juninos e os orixás, voduns e encantados que requisitam um boi como obrigação espiritual.
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| O nosso Bumba Meu Boi foi feito com caixas de papelão. Ele também foi utilizado no desfile do dia 7 de setembro. |
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| Revestido om TNT. |
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| Decorado com EVA, tecido e fitas. |
Atualmente, os grupos suprimiram a dramatização nas apresentações ao público durante os festejos juninos, mas preservaram, nas toadas, a seqüência da apresentação que compreende: o guarnicê, quando o amo do boi chama o grupo para começar a apresentação; o lá vai, aviso de que a brincadeira está se dirigindo ao local da apresentação; a licença, que é a permissão para que o grupo se apresente ao público; a saudação, quando são cantadas toadas de louvação ao dono da casa e ao boi; o urrou, momento que celebra a alegria de todos pelo restabelecimento do boi depois de ter sido sacrificado e a despedida, quando a brincadeira é encerrada.
A brincadeira do bumba-meu-boi apresenta um conjunto de personagens que pode variar segundo o sotaque ao qual os grupos pertencem. O sotaque também determina a variação na indumentária dos grupos.
O pesquisador Carlos de Lima classifica os grupos em três sotaques: zabumba, matraca e orquestra, além de dois subgrupos identificados com as regiões a que pertencem, no caso, Baixada e Cururupu.
Invariavelmente, os grupos dos três sotaques têm como personagens: o boi, figura central da brincadeira feito de buriti, cujo couro é bordado com miçangas e canutilhos: o amo, que personifica o dono da fazenda, podendo acumular a função de cantador; os vaqueiros, grupo que forma o cordão, exceto nos sotaques de orquestra e zabumba, onde, com o boi, se posicionam no centro do cordão; e as índias, meninas adolescentes que trajam indumentária confeccionada com penas, e cocares, a exceção do sotaque de zabumba, cuja indumentária é confeccionada com fios de saco de náilon.

O bumba-meu-boi é a mais conhecida brincadeira dos festejos juninos no Maranhão. É um auto que conta a estória da negra Catirina que, grávida, desejou comer a língua do boi predileto de seu amo, induzindo o seu marido, pai Francisco, a matar o boi para satisfação de seu desejo.
(Fonte:culturanordestina.blogspot.com)










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